
E assegurou que essa homenagem, pelo seu significado, ultrapassou, “de longe”, todas as outras homenagens, títulos honoris causa e outras condecorações que recebeu até então.
José Maria Neves queria ser padre
Num discurso espontâneo e emocionado, recordou a sua história desde os tempos de menino
em Santa Catarina. “Eu sempre quis trabalhar para as pessoas, por isso a primeira coisa que quis ser foi padre”, disse. Como não entrou no seminário foi estudar direito em Coimbra.
Nas férias do seu primeiro ano, esquivou-se a estratégia de Pedro Pires, então primeiro-ministro, que o chamou e queria que ele mudasse para o curso de dirigentes políticos. Ao que se juntou o seu irmão “Toni” que lhe disse que “direito ka tem futuro”.
Acabou por se formar em Administração no Brasil na Fundação Getúlio Vargas, uma escola de elite de São Paulo junto com Djinho Barbosa e Romeu Modesto. No início, sendo os primeiros negros a estudar na mesma, foram vistos com desconfiança e para os acompanhar foi designado um tutor, o professor Peter Spink, “que hoje é o meu melhor amigo no Brasil”. O qual posteriormente afirmou que não precisavam de tutor por se terem tornado melhores alunos da universidade.
A decisão para a liderança do partido
No resumo da sua vida e carreira o homenageado diz ter uma grande divida para com Santa Catarina por ter ficado só um ano na câmara. “Tive uma grande dúvida se devia candidatar-me a liderança do partido, ganhar as eleições e ir para Praia, já que teria de deixar o trabalho de presidente da câmara de Santa Catarina. “Foi Nha Titina de Rincão que me fez decidir, foi ao meu gabinete pediu audiência para falar comigo e disse-me que sabia da decisão que tinha de tomar e que ela achava que eu devia ir, pois assim ajudava mais Santa Catarina já que “Agu limpo di fonti ki ta bem”.
O primeiro-ministro salientou ainda ter um orgulho enorme
em representar Cabo Verde no exterior com humildade e dignidade, de ser Santa Catarinense e de poder trabalhar para Cabo Verde. “Não tenho mais nenhuma outra ambição política. A minha única ambição política é terminar a minha carreira como presidente da C.M. de Santa Catarina”, assegura.
A cerimónia contou ainda com a intervenção do José Luís Fernandes, na qualidade de testemunho “da humildade do homem apesar dos seus feitos” e em nome dos promotores José Maria Veiga. Precedeu-se ainda a entrega duma moldura com um certificado alusivo a ocasião.
Fonte: noticias.sapo.cv