Por: CARLOS TAVARES
Cinco de Julho de 2010. Completaram-se 35 anos que o nosso país se tornou independente. Melhor dizendo, passaram-se três décadas e meia depois de termos assumido as rédeas do nosso destino.
Na altura, o povo saiu às ruas empunhando bandeiras, gritando a sua liberdade. E os filhos destes dez grãozinhos de terra começaram a caminhada por um percurso incerto e tortuoso, tendo em conta que força colonizadora e opressora nos deixara em grandes dificuldades.
Mas o heróico povo das ilhas, desde o início, arregaçou as mangas em prol da viabilização de um futuro onde a palavra de ordem era vencer desafios, desafios esses a todos os níveis: educação, saúde, infra-estruturação, emprego, pobreza, etc.
E hoje, já sem medo do futuro, quando lançamos um olhar retrospectivo ao passado, orgulhosamente, concluímos que estamos perante um País que deu certo cá dentro e na Diáspora, uma Nação vencedora!Caros leitores: Com este artigo quero também homenagear os primeiros obreiros do Festival de Indian Point Park (Fox Point), uma referência, um marco relevante da saga crioula nos E.U.A. e expressão genuína da nossa caboverdianidade. A meu ver, o festival do Indian Point Park já está enraizado na cultura dos cabo-verdianos residentes nos Estados Unidos. Embora, uma vez, eu tenha confidenciado a um amigo que nos Estados Unidos tudo o que a comunidade cabo-verdiana se encontra envolvida poderá ter os dias contados - programas radiofónicos e televisivos, clubes desportivos - jamais aceitarei ouvir alguém dizer que o festival de Indian Point Park está em perigo.
Nesta ocasião, aproveito para dizer um muito obrigado à juventude da Independência pela iniciativa. Gente como LUÍS JORGE ALMEIDA (LIJO), MANUEL DE PINA, ROMANA RAMOS, LUIS RAMOS, GAGA RAMOS, ANIBAL MELO e ANA GOMES e os conselheiros OLING JACKSON, VIRGINIA GONÇALVES e YVONE SMART que dedicaram toda sua juventude em prol deste empreendimento nobre. De salientar que, do grupo organizativo surgiu o primeiro Agrupamento Musical do Festival, o AGT, expressão utilizada na Ilha de São Vicente para os useiros do aguardente.
Estes homens e mulheres, em 1976, no CV CLUB em East Providence, deram o primeiro passo para o arranque deste Festival que hoje está de pedra e cal.
Em 1977, o mesmo grupo colocou a ideia em praça pública para que os americanos soubessem que havia um País independente e culturalmente rico. Foi então que os mesmos negociaram com o Presidente de Câmara de então, VINCENTE CIANCI, para a cedência de um espaço onde se realizaria o Evento. Este prontamente cedeu o INDIAN POINT PARK (FOX POINT).
O primeiro festival no espaço público foi pouco animador e teve a participação de mais ou menos 100 pessoas. Hoje temos um festival que conta com a participação de milhares de pessoas, entre 10 a 20 mil almas, contando com a participação de cabo-verdianos oriundos de todos os 50 Estados e ainda Canadá. O Festival tornou-se um ponto de encontro entre habitantes de diferentes Estados e lugar ideal para reatar velhas amizades.
Este ano a Comissão organizadora teve a ideia de conferir maior brilho à festa, chamando para a presidir, o DR. JOSÉ MARIA NEVES, Primeiro-Ministro de Cabo Verde. É que tanto José Maria Neves, como o Festival de Indian Point Park (Fox Point) têm dado um contributo inegável para que a comunidade cabo-verdiana seja muito mais conhecida e respeitada. A ponto de, no Estado de Rhode Island, o Senado ter decidido dedicar o mês de Julho como dia de Cabo Verde.
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